Quinta-feira, Fevereiro 24, 2005


Pronto!
Já se embaraçaram os fios de ouro outra vez.
Caem os braços.

Eu descobri que não sou a vilã dessa história. Foi bom pra mim. Só não descobri ainda qual é meu papel, o verdadeiro papel.
Tenho medo.
Uma sensação ruim.
Triste. Estou triste.
Talvez aqui seja a beira do penhasco. Ou eu pulo e me arrisco ou eu volto pelo caminho que vim. Tenho medo porque estou triste.
porque tá me causando uma dor que desconheço e me enxarcando os olhos.
Queria dormir também, mas essa sensação ruim não me deixa.
Como é que é mesmo? Pai Nosso, Ave Maria, Santo Anjo.... quero lembrar como é que faz para esquecer.

Quem tá no comando? Me diz, quem é o autor daqui? Vou te ensinar a escrever uma bela história. E diferente. Uma bela história que não precisa ter só um final feliz. Pode ser feliz no começo também. E meio. E na outra página. Dia sim (página 1), dia não (página 2) o leitor cansa e não acredita que a vida de alguém poderia ser tão vulnerável.

É que também não adianta mais pedir força, porque mais forte será o tombo. Não adianta mais pedir paciência porque já transbordou. Eu me perdi e não sei mais o que teria que ter para continuar.

Não sei mais o que pedir e nem a quem, só sei que estou precisando ser feliz urgentemente E DIARIAMENTE.
Agora eu posso, pois não sou a vilã dessa história.



Será que numa sala de bate-papo eu encontro alguém que me dê atenção?

                             postado por mim ás 12:20 AM

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Segunda-feira, Fevereiro 21, 2005


QUEM ESPERA SEMPRE ALCANÇA
TRÊS MIL VEZES SALVE A ESPERANÇA!



E A PACIÊNCIA.

                             postado por mim ás 3:55 PM

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Sexta-feira, Fevereiro 18, 2005


Que eu aprendi hoje:



EGO - O Falso Centro

... e lembre-se, vai haver um período intermediário, um intervalo, quando o ego estará despedaçado, quando você não saberá quem você é, quando você não saberá para onde está indo, quando todos os limites se dissolverão.
Você estará simplesmente confuso, um caos.
Devido a esse caos, você tem medo de perder o ego. Mas tem que ser assim. Temos que passar através do caos antes de atingir o centro verdadeiro.
E se você for ousado, o período será curto.
Se você for medroso e novamente cair no ego, e novamente começar a ajeitá-lo, então, o período pode ser muito, muito longo; muitas vidas podem ser desperdiçadas.

Precisamos ser ousados, corajosos.
Precisamos dar um passo para o desconhecido.
Por um certo tempo, todos os limites ficarão perdidos.
Por um certo tempo, você vai sentir-se atordoado.
Por um certo tempo, você vai sentir-se muito amendrontado e abalado, como se tivesse havido um terremoto.
Mas se você for corajoso e não voltar para trás, se você não voltar a cair no ego, mas for sempre em frente, existe um centro oculto dentro de você, um centro que você tem carregado por muitas vidas.
Este é a sua alma, o eu.
Uma vez que você se aproxime dele, tudo muda, tudo volta a se assentar novamente. Agora tudo se torna um cosmos e não um caos.



E mais:



Toda vez que se sentir infeliz, imediatamente feche os olhos e tente descobrir de onde a infelicidade está vindo, e você sempre descobrirá que é o falso centro que entrou em choque com alguém.
Você esperava algo e isso não aconteceu.
Você esperava algo e justamente o contrário aconteceu - seu ego fica estremecido, você fica infeliz. Simplesmente olhe, sempre que estiver infeliz, tente descobrir a razão.
As causas não estão fora de você.
A causa básica está dentro de você - mas você sempre olha para fora, você sempre pergunta:
Quem está me tornando infeliz?
Quem está causando minha raiva?
Quem está causando minha angústia?
E se olhar para fora, você não perceberá.
Simplesmente feche os olhos, e sempre olhe para dentro.
A origem de toda a infelicidade, a raiva, a angústia, está oculta dentro de você; é o seu ego.
E se você encontrar a origem será fácil ir além dela. Se você puder ver que é o seu próprio ego que lhe causa problemas, você vai preferir abandoná-lo - porque ninguém é capaz de carregar a origem da infelicidade, uma vez que a tenha entendido.


Osho - Além das fronteiras da Mente.


É isso. Vivendo, lendo e aprendendo.
Serviu pra mim, servirá para você.
:~

                             postado por mim ás 1:45 PM

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Quinta-feira, Fevereiro 17, 2005


Faz de conta (re-adaptado)



Faz de conta que ela era uma princesa azul pelo crepúsculo que viria, faz de conta que a infância era hoje e prateada de brinquedos, faz de conta que uma veia não se abrira, faz de conta que sangue escarlate não estava em silêncio branco escorrendo, faz de conta que ela amava e era amada, faz de conta que não precisava morrer de saudades e tão menos de angústias, faz de conta que estava deitada na palma transparente da mão de Deus, faz de conta que de tudo sabia e que não havia o que temer, faz de conta que vivia, faz de conta que ela não ficava de braços caídos quando os fios de ouro que fiava se embaraçavam e ela não sabia desfazer o fino fio frio, faz de conta que era sábia o bastante para desfazer os nós de marinheiro que lhe atavam a garganta, faz de conta que tinha um cesto de pérolas só para olhar a cor da lua, faz de conta que ela fechasse os olhos e os seres amados surgissem quando abrisse os olhos úmidos da gratidão mais límpida, faz de conta que tudo o que tinha não era de faz-de-conta, faz de conta que se descontraía o peito e a luz dourada a guiava pela floresta de açudes e tranquilidades, faz de conta que ele a queria no seu cavalo pálido e faz de conta que existia o para sempre, faz de conta que ela não sentia tanto assim, faz de conta que ela não era lunar, faz de conta que ela não estava chorando.

                             postado por mim ás 3:32 PM

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Quarta-feira, Fevereiro 16, 2005


Do ano



Que não dá pra eu ficar de fora.
Ronaldinho e Cicarelli casaram-se. Foi assim.
É que não é certo a gente julgar ninguém, sabe. Não mesmo. Às vezes a paixão bate e aê fo-deu. Não vê cara, cor, nem classe social, vão vendo. O amor é cego e quem vê cara não vê coração, dessas coisas que a população não se cansa de ditar.
Pois bem.
Eu sempre acreditei no amor deles. Juuuro. Sempre bati pé e disse: "não, não é marketing... não, ela não precisa tanto de dinheiro, nem de tanto dinheiro... ah, também não é tudo isso, vai, ela é bonita, mas vai, ele compra qualquer outra... ops!... eu acredito no amorrrrr". Enfim.
Daí eles casaram. Assim. Casaram sem nem esperar sairem seus divórcios. Isto é, casaram ainda casados com outros. Aí que eu perdi as estribeiras, né? Ainda tentei justificar "ai, gente... vai ver que o castelo lá só tinah vaga pra segunda-feira...". Vaaaaai ver. Não vou negar que lá no fundo eu desacreditei do amor.
Até que me veio a notícia de que a noiva expulsou uma outra do casamento porque esta havia roubado um ex dela.

Ôpa! Faz cara de interrogação, pensa em alguma coisa, deve ter uma saída, uma justificativa, digo...


Depois eu descubro que este ex é João Paulo Diniz, herdeiro de toda aquela fortuna do Pão de Açúcar, e tá explicado. Tudo explicado. Ela lá, de olho na boutique de dele, chega uma menina que no passado havia atrapalhado todo um plano de se casar e ser feliz para sempre. Tem mesmo é que se botar pra fora, não é mesmo? Vai que dá merda outra vez.

Ah, eu sei que não é legal ficar julgando as pessoas. Mas taí pra isso. Se eu não o faço, outras pessoas estarão (e estão) fazendo com certeza.

                             postado por mim ás 11:59 AM

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Sexta-feira, Fevereiro 11, 2005


Tristeza no Céu



No céu também há uma hora melancólica.
Hora difícil, em que a dúvida penetra as almas.
Por que fiz o mundo? Deus se pergunta e se responde: Não sei.
Os anjos olham-no com reprovação, e plumas caem.
Todas as hipóteses: a graça, a eternidade, o amor caem, são plumas.
Outra pluma, o céu se desfaz.

Tão manso, nenhum fragor denuncia o momento entre tudo e nada, ou seja, a tristeza de Deus.


Carlos Drummond

                             postado por mim ás 7:22 AM

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A.B.A.N.D.O.N.O



...

O que será ser moça e ter vergonha de viver?

Ter corpo pra dançar e não ter onde me esconder.
Tentar cobrir meus olhos pra minh'alma ninguém ver.

Eu toda a minha vida soube só lhe pertencer.

O que será ser sua sem você?
Como será ser nua em noite de luar?
Ser aluada, louca, até você voltar... pra que?

O que será ser só quando outro dia amanhecer?

Quem vai secar meu pranto?

Eu gosto tanto de você.

                             postado por mim ás 3:55 AM

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Sexta-feira, Fevereiro 04, 2005


O que era dôuce...



E aí que eu cheguei aqui e estava tudo grudando e cheio das formigas invadindo o monitor, o teclado, meu mouse, empesteando todo o meu canto só porque estava tudo doce demais.
Daí eu deletei o último post com medo das baratas, pois bem sei que estas também gostam muito dessas coisas meladas e eu não gosto nem um pouco delas.

Pois bem, quem leu leu. Quem não leu, não me ligou para dar bom dia.
Hum.


Cadê eu, hein?
Cadê aquela menina desencantada que vivia no fundo do poço cantarolando canções cururus? Que vivia a reclamar e debochar de tudo que acontecia ao seu redor? Que escorria fel e nunca (NUNCA) este mel.

Meu Deus, será que fui abduzida e não me dei conta?

                             postado por mim ás 11:42 AM

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Estou me fazendo e me faço até chegar ao caroço.

Clarice Lispector

                             postado por mim ás 12:01 AM

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Quinta-feira, Fevereiro 03, 2005


[cris]

Você conseguirá olhar no fundo dos olhos do Chico, quando você o encontrar, de perto?

03/02/2005 15:13


Cris,
se eu conseguir me manter em pé, é bem provável que sim.
É que Chico não se despe. Ele pode escrever uma bíblia sem ser ele mesmo. Sou ciente disso. Que dele eu não entendo nada e não há quem conheça, assim, sem ter convivido com a criatura.
Isso me fascina. Porque eu jamais conseguiria ir tão longe e me desvincilhar de mim mesma. Separar o que sinto do que conheço e ao mesmo tempo traduzir os sentimentos de uma pessoa qualquer. Porque eu duvido que exista uma pessoa que não se encaixe a algumas de suas letras. É só procurar, taí. Você acaba se encontrando em lugares-frases quais de repente sequer Chico entendia no momento sobre o que estava falando. Eu li estes dias que ele chegou a perguntar pro Francis Hime o que ele ( o próprio Chico) quis dizer com "...e o meu cavalo só falava inglês" tal qual o amigo respondeu: "Vai ver que ele é um cavalo muito educado". :)
Ele próprio já mostrou ser um ótimo criador de personagens quando para fugir da ditadura e poder publicar suas músicas criou o Julinho da Adelaide e seu irmão Leonel Paiva. Dando toda uma entrevista aos jornais contando sua triste história e falando do Chico - dele mesmo.
Então, de nada me admiraria conhecer atrás daqueles olhos uma pessoa totalmente diferente da qual tenho em mente. Talvez fosse a única forma de decifrá-lo. Encarando-o de frente. Aliás, ouvi dizer por aí que "Você, você" foi uma música que ele fez pra ele mesmo. Quando diz: "Pra quem você tem olhos azuis e com as manhãs remoça? E à noite, pra quem você é uma luz debaixo da porta? No sonho de quem você vai e vem com os cabelos que você solta?". Mas ninguém me tira da cabeça que aqueles olhos são verdes:

E se eu pudesse entrar na sua vida...



Ah, como eu queria ter acesso ao verde dos teus olhos. Que olham baixo, que olham de canto, tão tímidos quanto o sorriso nos lábios. Os olhos. Me caberiam lá no centro?
Ah, queria muito me deitar naquele colo, desabafar para aqueles ouvidos e chorar naquele ombro. Ou poderia então só ficar de lado. Quietinha. Respirando.
E se fosse mais que isso. Eu tomaria seus sonhos. Te atormentaria de dia. Te embalava na noite. Eu faria parte de um pedaço qual hoje não te existe. Eu te daria a mão ( e se quisesse deixaria levar o braço, o pé, a perna, o que quisesse levar te deixaria).
E talvez pudesse acontecer de não sermos assim tão próximos. Tão íntimos, verdadeiros, genuínos como somos hoje. Pudesse acontecer de eu não te entender, e você não mais me poder explicar.
Talvez acontecesse, então, de eu te amar sem saber. Ou quem sabe, de tão óbvio, eu não te precisar tanto assim.

Ah, mas ainda se eu pudesse entrar na sua vida...

                             postado por mim ás 3:34 PM

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Terça-feira, Fevereiro 01, 2005


Acredite em mim, é só o que te peço.
Confie.
É tão mais fácil viver. E eu só quero ser feliz, não sei porque tentar ser diferente.
Eu não quero ser igual a ninguém. Eu não sou e me recuso ser. Eu tenho meu valor e valho muito mais que R$0,15 centavos - não sou uma cópia. Sou íntegra dos meus atos e por isso não me importo com julgamentos alheios. Sempre foi assim. Daí me tornei o que sou. Não adianta me dar conselhos. Eu atravesso de olhos fechados porque sou plena de meus caminhos. E se faço ou deixo de fazer é por vontade minha e demais ninguém. Eu sou egoísta, sim, quando se trata da minha felicidade. Mas quem não é? Seria mais fácil a ingenuidade, é verdade. Ou talvez ser uma pessoa ruim e jogar sujo. Eu deveria fazer isso: jogar sujo. Pelo menos pararia de ser apontada em vão. Não faço isso porque eu não preciso. Será que é difícil de entender? EU NÃO PRECISO. Se você não estiver disposto a ser feliz comigo eu vou sentir muito, muito mesmo... por você. Será que você já não consegue perceber? Que agora não tem mais volta. Não tem.
Acontece que às vezes eu faço uns juramento que eu mesma não acredito que serei capaz de cumprir. E cumpro. Porque naquele dia eu me jurei que não choraria mais nessa história. Que permaneceria firme e forte e garantida. E mesmo sentindo, as lágrimas nunca mais vieram por isso. Por isso que eu digo: "É só querer." Porque é. É colocar na cabeça o que você quer da vida e ir lá e viver. O máximo que pode acontecer é não dar certo e se não der certo, fazer o quê? Não será o fim, apenas um novo começo. É assim a vida. Ou você tem punho para lutar ou vai lá... viver uma vidazinha medíocre e acomodada. Não é o que eu quero pra mim, posso lhe dizer.
Eu quero te fazer feliz e quero ser feliz também. Vou lutar sim, mas não vá achando que me conquistou pra sempre. Porque eu juro que se for por muito tempo difícil assim, eu faço minhas malas eu continuarei lutando por você.

                             postado por mim ás 11:38 PM

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Veneno



por Chico Buarque:

Tudo está na natureza
encadeado em movimento
cuspe, veneno e tristeza
carne, moinho e lamento
ódio, dor, cebola e coentro
tudo isto está no centro
de uma mesma e estranha mesa
misture cada elemento
uma pitada de dor
uma colher de fomento
uma gota de terror
o suco dos sentimentos
mas inverta o seguimento
intensifique a mistura
temperódio, lagrimento
sangalho com tristezura
carnento, venemoinho
remexa tudo por dentro
e passe tudo no moinho
moa a carne
sangre o coentro
chore e envene a gordura
você terá um unguento
uma baba grossa e escura
essência do meu tormento
e molho de uma fritura
de paladar violento
que engolindo a criatura
repara o meu sofrimento
com a morte lenta e segura

                             postado por mim ás 4:17 PM

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